quinta-feira, 4 de agosto de 2011

RJ me ajudou a tomar decisões e a crescer como pessoa. Crises e Decisões!


Sabe as vezes, uma viagem, muda sua história, ou, muda a maneira que você está escrevendo. 


Assim foi no RJ, de repente, o rumo da minha vida muda completamente. As estradas se curvam, e as pessoas que andavam lado-a-lado comigo, somem. Eu olho para os lados procurando a bela paisagem tropical, água, mar, prédios, que antes me cercava , mas, tudo o que enxerga é a vastidão do deserto ou só areia do mar, assim me senti, caminhando na praia, solitário, quer dizer, só eu e Deus. 

Eu me deparo com um muro imaginário. Alto e extenso, e me desespero por não ver o fim dele, imagino a muralha da china, sem fim.

O pânico toma conta de mim. Minha alma, antes em paz, por aceitar aquela frase irritante: "fica em paz", acaba pesando. Eu começo a tocar o muro com mãos trêmulas, procurando uma passagem secreta, ai me lembro do Harry Potter, acabo falando assim para me ajudar a escalar o muro de tijolos lisos. 

Sinto meus olhos enchendo-se de lágrimas. O desânimo me acerta em cheio e as lágrimas transbordam. O pânico cresce cada vez mais, ainda mais pelas pessoas estranhas me vendo assim e o medo de nunca conseguir ultrapassar o muro.

Mas eu me recuso a me abalar antes de tentar. 

Eu olho para o chão, à procura de ferramentas que me ajudem a destruir o muro. Não encontro.

O pânico e o desespero foram embora, dando lugar ao desânimo e à tristeza.

Cansado, eu sinto minhas costas raspando no muro e deslizando até o chão. Me sento no chão da praia ou deserto que estou passando e fecho os olhos. E ali, encostado no muro, minha mente começa a viajar na maionese, como gosto de falar, sem perceber. 

Começo a imaginar o que tem do outro lado do muro e fico cada vez mais curioso. Imagino lindas paisagens, além do muro. Imagino as ondas do mar batendo nos meus pés. A imagem de paisagens tão paradisíacas me inundam de paz, calma, harmonia e felicidade. Minha alma está leve novamente.

Abro os olhos, torcendo para aquele pesadelo ter acabado e descanso a cabeça. 

Parei. Paro de pensar nas coisas que fiz, paro de pensar no passado que tive,para de se arrepender de tudo. Me esqueço de tudo e de todos. Me esqueço das pessoas que amo e dos momentos que tive com elas. Me esqueço das perdas e dos fracassos. Esqueço de como sorrir faz bem, esqueço de como chorar é bom, esqueço de ter fome, esqueço de amar, esqueço de odiar, esqueço de enlouquecer as vezes, esqueço de sentir saudades de quem tanto vem me visitar nas lembranças, esqueço do que é ser feliz. 

Tudo o que vem na minha mente agora é o muro. O maldito muro onde estou encostado, esquecendo.

Minha mente viaja novamente, agora pensando na morte da bezerra e recomeço a imaginar as lindas paisagens que existem por trás daquele muro de tijolos. A curiosidade me dá forças e me levanto. Limpo minha roupa cheia de areia e olho para os lados, observando cada mínimo detalhe da cena, pessoas sorrindo, brincando, lendo, pensando e algumas viajando como eu. 

Vejo as pessoas que andavam ao meu lado bem longe, cada uma trabalhando nos seus próprios muros, sem notar a minha presença.

E acabo me sentindo um pouco egoísta por pensar que só eu tinha um muro para escalar e acabo rindo de mim mesmo, com a minha ingenuidade infantil.

Por um segundo, minha mente para, sem saber se me ajudo, ou se ajudo aos meus amigos. E percebo que tenho que me ajudar, para que possa ajudá-los mais tarde. 

E me concentro novamente no muro a minha frente e decido que o único jeito de passar por ele, é escalando-o, superando-o.

Penso na imensidão azul do mar que se estende após o muro e quero por que quero só para mim. 

Procurando uma saliência, um espacinho, entre os tijolos vermelhos, penso no que fazer depois de passar o muro.

A cena de correr pela areia branca em direção ao mar me dá força e acho a saliência. Percebo que preciso de pelo menos duas saliências e procuro a outra mais acima. Encontro. Piso na saliência mais baixa, visando encontrar o mar, o MEU mar e seguro a pequena saliência acima da cabeça com a ponta dos dedos.

Começo a escalar, assim, o grande muro de minha vida, que me impede de chegar onde tanto almejo. 

A esperança me inunda. Está funcionando e estou quase na metade do muro.

Mas, me distraio, com situações que surgiram e a onda de otimismo que me inundou, some e caio. Eu desabo, de costas e sinto que cai em cima de algo que machuca. Minhas costas doem. 

Mas,tento de novo. Ponho o pé na saliência, seguro com a ponta dos dedos à outra, e recomeço a escalada. Passo da metade do muro. A alegria me invade, e, novamente,  caio. Dessa vez não arde, mas a dor é incômoda, vejo o que não queria ver.

Meus olhos estão ficando com lágrimas novamente. Mas algo impede as lágrimas de transbordarem e resolvo tentar a última vez. 

Novamente eu escalo. Passo da metade do muro e sinto a esperança e a felicidade vindo à tona. Chego ao fim do muro e quando meus olhos passam dele, me comovo, e caio. De novo. Por ouvir oque não queria ouvir.



Resolvo desistir de escalar o muro. Quero ir embora, pegar o primeiro avião ou ônibus. Minhas costas ardem, meus dedos estão latejando de dor e meu pé dói. Procuro outra saída e quando vejo outras pessoas que desistiram, chorando pelo mar, próximas de mim, outra onda de determinação me invade. Eu não quero ser como eles, que desistem fácil.

Cada célula do meu corpo dói, mas não me importo. 

As lágrimas transbordam com a dor que senti, sem conseguir dormir nas noites que lá estive, mas, também não me importo. 

Movido ao desejo, simplesmente subo o muro, o muro da minha decisão. Já decorei aonde são as saliências, como as pessoas agem, como as pessoas são, como as pessoas mudam de repente e assim acabo tendo força suficiente para escalar tudo de uma vez, sem me distrair com emoções que passam. 

Assim, chego ao topo do muro e me sento em cima dele.
Olho pros lados, com a esperança de que meus amados, meus amigos, tenham conseguido também, mais alguns deles, acho que tentarão escala-los por um bom tempo, por esquecerem de subir seus muros, tomarem suas decisões e só olharem os outros, sem se preocuparem com a escalada de cada um.




Mas foi  assim, esse muro só uma pessoa conseguiria escalar e essa uma sou eu.



Eu comando meu muro agora, eu sou dono dele, pois, fui o único que conseguiu passá-lo, lutando contra meus próprios sentimentos e tomando a decisão certa, superar esse obstáculo que a vida me colocou a frente. 

Observando o mar de cima do muro, a calma e a paz me invadiram novamente e me sinto bem. O cheiro da brisa do mar, a boca de vento em meu rosto, me ajudaram a ser melhor e me conhecer mais. E me sinto novamente feliz.
Você é o muro. Você o escala. Você toma a sua decisão.


Você pula do muro, sem medo da altura. Você esquece de todas as suas dores. Você corre para o mar. Você entra no mar até sentir a água na cintura.

Você ouve os pássaros, livres, como você, depois de se decidir. 
Você se sente vitorioso, poderoso. Você se sente, acima de tudo, LIVRE. 

7 comentários:

  1. Monologo entre seus pensamentos, sentimentos e a visão do menino para Homem referente a vida. Parabéns pela descrição

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  2. Vlw pelo comentário, sabe que vc é de grande valor para mim e para me entusiasmar ainda mais na escrita critica e construtiva.

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  3. Que lindo texto. Bem reflexivo, Lindo em termos de escrita, de conteúdo, os mínimos detalhes, mas um pouco triste, por saber que você passou por isso. Espero que tenha mesmo atravessado essa barreira em sua vida que foi esse muro. Saudades!

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  4. Valeu pela sua visão sempre inteligente e saudavel. Obrigado pelas palavras amigo carioca e incentivo de brother mesmo. abraço

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  5. nossa é muito bonito o q vc escreveu, eu gostei mt, esse texto apesar de ser um pouco triste,
    e em pensar q vc passou por tudo isso e ter superado tudo com agraça de Deus desejo mesmo é q vc seja mt feliz de coraçao
    q Deus te abençou

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  6. Vlw Leh...bjao adoro seus comentários tbm...grande beijo

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